Grimalt, Ramon
Argélia, 1937
Ramon Grimalt nasceu em Rouba, no Norte de África (Argélia), em 1937, filho de pai canalizador espanhol e de mãe judia, costureira. No ano seguinte, deixou a família para viver numa cave insalubre, praticar dança e assistir à ópera. Por ocasião do seu serviço militar, Ramon descobriu a França em 1957. Aí se estabeleceu em 1957, trabalhou numa fábrica e viveu em quartos de hotel. Em 1962, Ramon descobre acidentalmente uma pintura no Louvre, onde fica fascinado por uma pintura em particular. “A Criança melancia” de Murillo. No dia seguinte compra imediatamente tintas, pincéis e começou a pintar. Em 1963, montou o seu atelier em Bagneux, e decidiu em 1970 dedicar-se totalmente à pintura. Em 1990, por necessidade de fazer um balanço ao passado, destrói a maioria das suas obras anteriores e começa a pintar reescrevendo a história da sua família e das suas raízes que até aí rejeitava. Poucas obras sobreviveram às chamas, o que o obrigou a desviar a sua energia artística. O humor judaico, o brilho do Oriente, o orgulho e a tragédia ibérica tecem inexoravelmente a trama da sua escrita. As figuras ramoniennes são polimórficas, mas esta característica não é aleatória. Ocupam espaços pictóricos muito diferentes sem deixar muita liberdade. “Discurso privado, mantêm a sua forma e cor. E depois tornam-se muito faladores”, disse o crítico de arte Philippe Daviaud.